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Mitos e Lendas de Aljustrel
Lendas da Nossa Senhora do Castelo
Faz parte
do imaginário popular, uma lenda que tenta justificar a inclusão na planta
da igreja de uma rocha pertencente ao conjunto de afloramentos existentes em
todo o morro do Castelo.
Conta essa
lenda que em tempos muito recuados, Nossa senhora terá aparecido em cima dessa rocha. Quando foi decidido construir o templo, obviamente que
ninguém pensou incluir a dita pedra na sua estrutura, porém, sempre que se
começava a erigir a igreja, deixando a pedra de fora , a obra ruia.
Somente
quando o templo foi construido, utilizando a pedra como alicerce, o
edificio conseguiu aguentar-se de pé.
Uma outra lenda que tem a ver com esta pedra, embora com caracter mais
profano, refere que ao encostarmos o ouvido à pedra, podemos ouvir o barulho do mar
e que, se porventura, essa pedra fosse arrancada, o mar entraria por aí e alagaria
a Vila de Aljustrel.

Mitos e Lendas de Beja
Lenda de Beja
Todas as terras,
principalmente do Sul, têm a sua lenda.
Muito ao contrário das lendas de outras terras, que metem geralmente
moiras
encantadas, Beja também tem a sua lenda.
E esta pretende justificar a
razão porque se
encontra no escudo da cidade a cabeça de um toiro.
Diz-nos a lenda: - «Muito antes dos lusitanos, o local onde hoje se
encontra a nobre
cidade de Beja com as suas muralhas romanas, com os seus prédios góticos,
com a
mesquita árabe, com o castelo do princípio da monarquia portuguesa e,
consequentemente, essa Beja com documentos que representam 4 civilizações,
era
pequeno povo que vivia em cabanas cobertas de colmo, que apenas se
empregava no
exercício da caça.
Todos esses campos ubérrimos de pão que vemos hoje,
eram um
compacto matagal, impossível em alguns pontos de ser penetrado pelo
homem».
«E uma serpente, uma serpente monstro que tudo matava, tudo triturava, era
a horrível preocupação do povo que habitava no local que mais tarde, no
tempo dos romanos,
se havia de chamar Pax-Júlia, depois no domínio árabe se chamou Buxú e
presentemente se chama Beja».
«Um ardil porém germinou no cérebro de um habitante dessa região:
Envenenar um
toiro, deitá-lo para a floresta onde existia a tal serpente. Aprovada por
todos essa
ideia, o toiro foi envenado e deitado para o local indicado».

Uma Luz
Misteriosa
As histórias de lobisomens e de bruxas
eram vulgares no meio rural tradicional.
Maus encontros com animais a horas tardias, doenças provocadas por mau
querer
(feitiçarias), filtros de amor (beberagens para atrair ou afastar paixões,
visões, vozes,
são elementos do vasto manancial do imaginário popular sobre forças
maléficas.
Há, contudo, outro tipo de histórias que são comuns a várias aldeias e
vilas do
Alentejo.
É o caso da estranha luz que, de noite, acompanhava os viajantes
(normalmente pastores, almocreves e, mais recentemente, tractoristas que
de noite
procedem às grandes charruadas).
Era uma luz que seguia o caminhante sem, contudo, o incomodar. Conheci
algumas
pessoas que afirmavam terem sido seguidas por essa luz. A luz acompanhava
o
viajante, seguindo a seu lado, parando quando este parava, e acompanhando
a
velocidade da deslocação.
Nenhuma das pessoas que conheci, e que afirmavam ter estado em contacto
com o
fenómeno, esboçou qualquer reacção. Para essa passividade contribuiu
seguramente o
facto de ser conhecida a reacção da luz quando atacada.
O fim da história que apresentamos é relativamente benéfico. Com efeito,
noutras
descrições, que a tradição popular registra, a luz, quando hostilizada,
conduz à morte
do atacante.
História veridica: Algures na região de Beringel (Beja), o meu pai tinha
um amigo que
não acreditava em coisas estranhas, daquelas que se contam nas aldeias.
Naquele tempo, corria o boato de que havia no campo uma espécie de luz de
cor
vermelha que andava de um lado para o outro, mas que não se deixava ver de
perto.
Amigos do meu avô afirmavam que já a tinham visto, e esse homem que não
acreditava disse, na brincadeira:
“Se eu a encontrar, desfaço-a toda aos bocados com o meu cajado”
O que vos conto a seguir é a narração do próprio.
“Numa noite, eu ia guinado a minha charrete e lá estava à minha frente a
luz vermelha
parada em cima do muro.
Saí, peguei no cajado e disse com ar forte e
corajoso:
Já que aí estás, então espera, que já vais ver o que é para a saúde! E
assim dirigi-me
até junto dela e tentei dar-lhe com o cajado, mas não consegui porque ela
se desviou.
Continuei à cajadada com ela, mas falhava sempre e ia ficando mais
furioso. Voltei
para a charrete quando ela se voltou contra mim. Não sei o que aconteceu
(parecia
que estava levando uma grande tareia) e desmaiei.
Os cavalos voltaram para casa e eu fui na charrete como morto.
Na manhã seguinte, a minha mulher, já preocupada, foi ver se eu estava
dormindo na
charrete.
Ela diz que eu estava com a roupa toda rasgada, todo cheio de
sangue, que
parecia morto. Mas estava apenas desmaiado. Depois a minha mulher tratou
de mim e
nunca mais quis ouvir falar dessa luz.”

O lobisomem
Segundo a tradição, colhida em vários
relatos, a acção de queimar as roupas do
lobisomem, que este despia quando ia fazer as suas correrias durante a
noite, parecia
ser o meio mais comum de livrar uma pessoa do seu triste destino.
Esta acção pruficadora / salvadora tinha porém, os seus riscos, pois
desencadeava
poderosas forças maléficas, tornando o lobisomem violento.
Enquanto as roupas ardem, é vulgar ouvirem-se gritos e violentas pancadas
são
aplicadas nas portas das casas onde se faz a fogueira. É o momento
purificador para o
lobisomem e o de maior tensão para o salvador.
Com o fim do fogo, terminado o feitiço, o homem salvo aparece tranquilo,
nú e
inocente. Ficou Livre.
Este Mito passou-se em Beja há muitos anos. Um rapaz, que era lobisomem,
saía de
casa por volta da meia noite, para se ir encontrar com outros lobisomens e
com bruxas
numa encruzilhada.
Daí saíram juntos e iam para o campo onde se despiam e dançavam em roda.
Numa
noite, quando ele se transformava, uma pessoa da sua família viu-o e
apoderou-se das
roupas para as queimar.
Se o conseguisse fazer, poderia acabar coma sina do lobisomem ao seu
familiar. O
desvio da roupa foi feito com cuidado pois, se o lobisomem o tivesse
presenciado,
poderia correr atrás da pessoa e matá-la.
O familiar do lobisomem levou as roupas para um casão, para aí as queimar,
tendo
tido o cuidado de fechar bem o portão do casão, onde fez uma fogueira.
Logo que começou a queimar as roupas, começaram a ouvir-se grande
sgrunhidos e
fortes pancadas no portão. Embora com medo, pois as pancadas no portão
eram
cada vez mais fortes, o familiar do lobisomem continuou a queimar as
roupas.
Com receio, ficou no casão até de manhã. Ao amanhecer, abriu o portão. Lá
estava o
rapaz estendido, nú, como uma pessoa inocente. O fadário de lobisomem
estava
quebrado.

O Cinto do Lobisomem
Numa terra aqui do concelho de Beja, havia
um lobisomem, que se transformava
sempre numa encruzilhada, ou seja (um cruzamento de quatro ruas ou
travessas).
Numa noite, já a altas horas, numa dessas encruzilhadas, o lobisomem
transformou-se
num chibo. Quando isto se passou, um outro homem ali passou e encontrou o
chibo.
Quando o viu, disse logo para com ele:
- Vou levá-lo
para casa.
Tirou o cinto das calças e colocou nas pernas do chibo para o poder levar
ás costas.
Quando ia no caminho com o chibo, ás costas cada vez lhe pesavam mais. Não
aguentado o peso, tirou-o das costas para ver o que se passava. O chibo,
muito
rapidamente, pregou-lhe valentes coises e fugiu.
No outro dia, no trabalho, passou por ele um rapaz da aldeia que tinha
fama de ser
lobisomem. E não era que o rapaz trazia á volta da cintura, o cinto que
tinha servido
para amarrar o chibo na noite anterior. Era preciso mais para se
identificar o
lobisomem?

A Lenda da Costureirinha
Entre as crenças que algum dia existiram
no Baixo Alentejo, a da costureirinha era
uma das mais conhecidas. Não é difícil, ainda hoje, encontrar pessoas de
alguma
idade, e não tanta como isso... que ouviram a costureirinha.
O que se ouvia, então? Segundo diversos testemunhos, ouvia-se
distintamente o som
de uma máquina de costura, das antigas, de pedal, assim como o cortar de
uma linha e
até mesmo, segundo alguns relatos, o som de uma tesoura a ser pousada. Um
trabalho
de costura, portanto.
O som trepidante da máquina podia provir de qualquer parte da casa:
cozinha, quarto
de dormir, a casa de fora, e até mesmo de alpendres. De tal modo era
familiar a sua
presença nos lares alentejanos que não infundia medo. Era a costureirinha.
Mas quem era ela? Afirma a tradição que se tratava de uma costureira que,
em vida,
costumava trabalhar ao domingo, não respeitando, portanto, o dia sagrado.
É esta a
versão mais conhecida no Alentejo. Outra versão afirma que a costureirinha
não
cumprira uma promessa feita a S. Francisco. Esta última versão aparece referenciada
num exemplar do Diário de Notícias do ano 1914 em notícia oriunda de
aldeias do
Ribatejo. Pelo não cumprimento dos seus deveres religiosos, a
costureirinha fora
condenada, após a morte, a errar pelo mundo dos vivos durante algum tempo,
para se
redimir.
No fundo, a costureirinha é uma alma penada que expia os seus pecados, de
acordo
com a crença que os pecados do mundo, o desrespeito pelas coisas sagradas
e,
nomeadamente, o não cumprimento de promessas feitas a Deus ou aos Santos
podiam levar à errância, depois da morte.
Já não se houve, agora, a costureirinha? Terminou já o seu fado, expiou o
castigo e descansa em paz? A urbanização moderna, a luz eléctrica, os serões da TV,
afastaram-na do nosso convívio. Desapareceu, naturalmente, com a
transformação de uma sociedade rural arcaica, que tinha os seus medo, os seus mitos, as
suas crenças e o seu modo de ser e de estar na vida.
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